Quem quer ser Personal Tech?

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Personal TechFiquei em dúvida se colocava o termo em português ou o termo original, optei pelo original porque afinal estamos falando de tecnologia e o inglês é o idioma oficial para tecnologia.

O Personal Tech ou a versão aportuguesada, Personal Tecnológico é um profissional um pouco diferente de um “vendedor das casas Bahia” (ou troque pela loja que quiser)  que diz saber “tudo” sobre computador e fala algumas “verdades” com tanta certeza que você acredita.

vendedor

Também é diferente daquele sabichão, amigo do amigo, que também “sabe tudo” mas acha você burro ou burra demais para entender e fala apenas em códigos, ele sabe palavras que nem os fabricantes conhecem, mas se deixar ele botar as mãos sujas de bits em seu computador pode esquecer… pois agora seu computador é dele.

E o tal do Hacker? Será que é um bom Personal Tech? As vezes sim, pois o temido Hacker (o verdadeiro, que nunca diz que é um) conhece muita coisa, mas pode ter um defeito, talvez não goste de compartilhar o que sabe e se um destes chegar perto do seu micro… está dominado.

hacker

O verdadeiro Personal Tech é uma pessoa disposta a compartilhar conhecimento, o tipo de pessoa que se você perguntar algo e ele (ou ela, pois há ótimas mulheres na área) não souber vai dizer na bucha que não sabe, mas voltará com a resposta em pouco tempo… normalmente só alguns minutos.

mulher tech

O verdadeiro Personal Tech costuma cobrar pelo seu serviço e costuma cobrar caro pois informação ainda é um dos bens mais valiosos que existe e se for para cobrar pouco prefere não cobrar, uma questão simplesmente ética.

Um pouco de história…

Divino LeitãoBom… eu sou um Personal Tech, exerço esta profissão desde mais ou menos 1995, quando comecei a usar o Windows no lugar de outras linhas de micro e me vi tão perdido quanto um iniciante em computação e na verdade eu não era, tinha mais do que 10 anos de experiência em computadores, tinha já criado uma “tantada” de jogos, desenvolvido sistemas e tinha trabalhado na primeira revista de computadores do Brasil, a Micro Sistemas, um lugar muito interessante para a época.

Mas quando peguei o tal do Windows, cuja propaganda dizia que funcionava sozinho (e realmente funcionava, mas fazia o que queria e não o que eu queria)  me senti de novo começando do zero e precisei apanhar bastante para não depender de outras pessoas para poder usar meu próprio computador.

E cada coisa que aprendia eu sentia o maior prazer em compartilhar, vicío que devo ter adquirido na revista Micro Sistemas, ou sei lá… já tinha.

Quando percebi não tinha mais minhas madrugadas, manhãs, tardes e noites livres, meu telefone tocava direto e as pessoas descobriram que a piada do Chico Anísio (o Divino sabe) tinha um representante real.

Pensei assim… vou cobrar e terei paz, comecei a cobrar mas acho que eu cobrava pouco pois a fila aumentou, os telefonemas passaram a durar mais tempo, então comecei a cobrar mais e não adiantou.

Nestes anos de inicio de Internet eu fazia palestras, dava cursos, mas fui percebendo que o melhor jeito de ensinar (e também aprender) era conhecer a pessoa, saber das suas necessidades e só então criar uma rotina de ensino para ela… eu herdei isso da minha profissão anterior, que era de Decorador, eu primeiro tinha que conhecer meu cliente, saber seus gostos pessoais e só então poderia fazer um bom projeto para a casa dele.

A Rede Globo ainda não tinha começado a popularizar o termo Personal Tecnológico, isso só aconteceu a partir da virada do século, o termo fazia um paralelo com o Personal Training, que é um tutor para exercícios físicos, o Personal Tecnológico é um tutor para o uso de tecnologia, seja um celular, um computador ou mesmo sua TV ou lavadora de roupa. Dei muitas aulas para donas de casa com lavadoras tão sofisticadas que eu precisava ler o manual inteiro para entender.

cadeado

Como tenho muita facilidade para entender ou lidar com programas de computador e como tenho por ocupação principal o Design de Interfaces Interativas (inclua aí apresentações, jogos e sistemas diversos) dificilmente um aparelho me derruba, se cai nas minhas mãos aprendo rápido a lidar com ele e depois consigo ensinar qualquer um, ainda mais rápido.

Tive dois desafios em minha carreira como Personal Tech, um deles foi um aluno que se tornou amigo, Zelman Sirota, fotógrafo consagrado do Rio de Janeiro, mas cuja habilidade com computadores era mínima, o Sirota era muito inteligente, mas seus quase 90 anos o impediam de ter facilidade para lidar com seu micro Amiga, tanto que ele me foi “passado” por um outro amigo (este mais da onça) que pediu pra sair.

Me dei muito bem com o Sirota, as vezes tinha que explicar a mesma coisa para ele várias vezes, mas descobri um jeito fácil de fazer ele memorizar as coisas, escrevia tudo, identificava tudo. Seus dois leitores de disquete (na época se usava muito) tinham as letras A e B devidamente coladas do lado de fora, para ele era mais fácil entender que A grava em B do que entender que tanto faz… que B também pode gravar em A.

Tive outros aprendizes nesta faixa de idade, todos com dificuldades imensas, mas queriam superar e isso é o que valia.

Tinha até vergonha de cobrar deles, pois para ser muito honesto eu aprendia mais com eles do que eles comigo, eram campeões em suas atividades e por tabela eu aprendia um pouco da arte de cada um.

79-anosA Dona Ignez, minha querida mãe, que ainda completa 80 anos neste ano foi muito mais difícil… por um motivo muito simples, ela NÃO QUERIA aprender a lidar com computadores. Eu insistia porque sabia que faria bem a ela… sempre que pude deixei um computador por perto para ela praticar, mas que nada… mas tanto insisti que quebrei a barreira e hoje a Dona Ignez saca seu Tablet sempre que tem um tempinho e um Wifi por perto, ainda tem muito a aprender e como não estou tão próximo tenho que ensina-la à distância ou nos momentos em que ficamos próximos. Ela avança bem e lembro bem quando se tornou uma demonstradora de fitas do Atari 2600, naquela época não havia cartuchos nem o jogo para vender no Brasil então como eu trabalhava em uma empresa que clonava uns cartuchos, levei alguns para vender em Curitiba, onde ela morava. Mesmo odiando o Atari aprendeu a jogar para mostrar para as pessoas e aquele foi um Natal bom… muitas vendas ;-) Quem quer… se adapta.

Então é isso… o Personal Tecnológico, no meu caso prefiro Tech é mais do que um profissional de informática, pois precisa ser um profissional da vida, entender a alma e a necessidade de cada pessoa que o procurar e só então começar a destilar siglas e posturas digitais.

E é isso que pretendo fazer com um projeto que venho acalentando faz anos, que é poder ensinar informática a pessoas PNE, pois estas pessoas costumam se beneficiar muito mais dos computadores do que as pessoas ditas “normais” ou seja, as quais não faltam as mãos, a visão, a audição e algumas vezes o domínio de todo o corpo, tenho pelo menos um amigo que usa os pés para digitar ao invés das mãos, que não pode usar e não vou cita-lo no momento porque não tenho sua autorização, mas ele se vira muito bem, na verdade me surpreendo com sua capacidade de superação.

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Não faço isso por “bondade” faço porque sei que é necessário que alguém faça e provavelmente são poucos os que tem o conhecimento necessário da situação e também da tecnologia para poder fazer como eu farei e quem me deu esse conhecimento foi uma mocinha chamada Tavane, que disseram que provavelmente duraria apenas uns 5 anos, pois Tavane fará 26 anos neste mês de Julho e apesar de eu nunca tenha podido ensina-la a usar computadores, consegui ensinar muita coisa a ela, desde sua primeira mamadeira.

TavaneSim, Tavane é minha filha e apesar de não falar e ter um cérebro bastante limitado, por conta de um acidente de percurso no nascimento, sabe perfeitamente colocar seu CD preferido para tocar, sabe usar um controle remoto e outras coisas, algumas eu ensinei e outras foram pessoas de alma com muita luz que ensinaram… um dia quase chorei quando a vi selecionar em uma tabela com desenhos a comida que queria comer, não acreditei muito e achei que era só acaso, ela teve que escolher umas 5 vezes a mesma comida para eu entender que era real. Ainda não reproduzi aquela tabela em um Tablet e no momento Tavane não vive comigo, está sob os cuidados da mãe, mas sei que um dia vou ensina-la, ou melhor dizendo… ela vai me ensinar mais coisas.

Não é tão simples fazer as coisas para os PNE, eles são pessoas exigentes e desconfiadas de boas intenções, então vou além e também vou ensinar as pessoas que prefiro chamar de Melhor Idade do que Terceira Idade, mesmo porque estou há apenas 2 anos de me tornar membro desta confraria que vejo com prazer aumentar a cada dia, no passado era raro alguém chegar aos 60 anos, hoje as pessoas chegam aos 80 com muita saúde ainda e se tiver a oportunidade quero que aproveitem o melhor destes seus melhores anos.

Chamei o projeto de Melhor Idade On Line e por enquanto me recuso a usar a sigla MIOL, mas sei lá, pode ser que me acostume com isso ou alguém com mais experiência encontre uma sigla e um nome melhor.

O projeto é bem simples, como tenho lugar e equipamentos para isso simplesmente vou ensinar estas pessoas, usando o conceito de Personal Tech, ou seja, cada pessoa uma necessidade, nada de cursos prontos, de receitas de bolo ou os processos tradicionais de ensino, que não costumam funcionar para quem sabe o que quer.

De graça? Sim, será de graça porque felizmente hoje eu posso fazer desta forma e não vejo sentido em tornar isso um empreendimento, sei bem que algumas pessoas podem pagar mas neste caso deixarei que optem por ajudar os que não podem sequer se locomover até onde será efetuado o projeto.

Apenas as aulas virtuais particulares serão cobradas ou voltarei a não ter tempo sequer para dormir, mas alguns cursos virtuais coletivos estão sendo implantados e serão também gratuitos.

No mais conto com a cooperação de amigos para ajuda a divulgar o projeto, seria simples utilizar estruturas já existentes, mas não quero me envolver com outras empresas ou com políticos, quero que este projeto seja auto sustentável, pois já tentei fazer antes usando o “apoio” de grandes estruturas e não funcionou, porque como já lembrei mais acima, poucos são capazes de fazer o que quero fazer e se ficar grande demais não consigo fazer do jeito que precisa, então será um projeto modesto e futuramente com certeza os próprios participantes se encarregarão de dar continuidade.

Então faça parte deste grupo, como aluno, como voluntário, como divulgador e se desejar saber como ser um Personal Tech… tenho bagagem de sobra e compartilharei com prazer com quem mostrar que leva jeito para a coisa.

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