A polêmica do NERF

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Dedico este texto aos jornalistas que fazem jus a sua profissão.

E espero que ao mesmo tempo, sirva como experiência benéfica aos que optam pela imprensa marrom, que prefere deturpar os fatos de acordo com sua vontade, ao invés de notícia-los.

Em 06/06/2015, um belo sábado de sol, a Escolinha Pernalonga fez o que tem feito desde que foi criada e promoveu mais um evento familiar.

O evento foi um Campeonato Nerf e como sempre acontece nos eventos da Escolinha Pernalonga, tudo transcorreu no melhor ambiente de camaradagem, as crianças se divertiram com a presença dos pais que torciam e ao final uma simpática garotinha de apenas 9 anos ganhou o prêmio, seus pais nos elogiaram publicamente através do site e ficamos muito felizes com os resultados.

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Divino Leitão, sentado e em volta os organizadores e participantes do evento Campeonato Nerf, realizado no anexo das dependências da Escolinha Pernalonga.

Só não fazíamos a mínima ideia de que o uso dos lançadores NERF, um brinquedo totalmente inofensivo que é vendido em todas as grandes redes de lojas de brinquedo causaria tanta polêmica, a ponto de ser necessário escrever este desabafo, pois algumas pessoas acham-se no direito de questionar minha capacidade profissional e pior, sugerir que a Escolinha Pernalonga, uma instituição com mais de 15 anos cuidando de crianças esteja sendo irresponsável.

Não dou a mínima para os que pretendem questionar minha capacidade, até porque nenhum dos que fizeram isso tem formação profissional para entender de educação e portanto estão sendo anti-éticos, com a própria profissão. Mas já deixei claro que aquele que criticar a Escolinha desta forma vil e covarde, será responsabilizado civilmente por danos morais, pois as pessoas precisam aprender a respeitar o trabalho alheio.

Se não fazem por ética ou por bem, vejo-me obrigado a faze-los entender pela força da lei. Por favor, quem quiser criticar a Escolinha Pernalonga, pelo menos tenha a decência de assinar embaixo, para que possa ser depois julgado e responsabilizado(a) por suas ações.

O que causou toda a polêmica foi a ilusão de alguns de que estaríamos colocando crianças em contato com “armas”.

Quer dizer que agora tenho que explicar a algumas pessoas a diferença entre uma arma e um brinquedo?

Tenho! Porque obviamente quem confunde estas coisas está carecendo de uma explicação.

doutor_da_alegriaEntão vesti minha melhor roupa e aqui estou, pronto para explicar a estas pessoas tão ciosas dos cuidados com as crianças, qual é esta diferença.

Em primeiro lugar gostaria de esclarecer que ensinar é algo que precisa estar acompanhado de um exemplo, esconder algo das crianças está longe de educa-las, para ensinar é preciso mostrar.

No evento em questão a proposta de “ensinar crianças a usar armas” só poderia vir da cabeça de alguém muito doente, doente a ponto de confundir a realidade com suas próprias fantasias psicóticas. O que ensinamos foi a diferença entre uma coisa e outra, para que não cresçam com este problema psicológico de falta de conhecimento da vida.

A primeira confusão começa quando se questiona uma imaginária “postura pedagógica” da Escolinha Pernalonga, sem sequer perguntar a qualquer representante da mesma qual é a real postura pedagógica.

Para quem estiver interessado(a) a postura pedagógica está registrada e aprovada na Secretaria da Educação, basta ir lá e olhar, embora seja mais fácil nos perguntar.

E mesmo sem ninguém ter perguntado eu digo qual é a postura da Escolinha Pernalonga a respeito de “armas” e qualquer pai de qualquer aluno sabe disso.

A Escolinha Pernalonga não tem qualquer tipo de brinquedo que represente arma, nem mesmo soldadinhos de plástico, se querem uma postura pedagógica ela é essa e os alunos e alunas da escolinha, assim como seus pais a conhecem bem. São crianças de até 5 anos e sabem que não podem trazer brinquedos que representem armas para a escola… simples assim, elas sabem disso, não concordam, mas aceitam sem problemas, afinal são crianças, mas elas precisam saber primeiro o que é uma arma, antes de entender porque devem ser evitadas.

Quando aceitou fazer o Campeonato de lançadores Nerf a Escolinha não tomava uma decisão pedagógica, mas sim uma decisão social, que era oferecer um espaço a comunidade para a realização de um campeonato nos mesmos moldes que vemos em eventos como as Olimpíadas.

Qualquer um que estivesse realmente interessado no assunto poderia ter lido que uma das premissas básicas para participar era ter MAIS do que 5 anos, fora, portanto, do universo pedagógico da Escolinha Pernalonga.

Outro pré-requisito era as crianças estarem acompanhadas de seus pais ou responsáveis, pois são eles que tem, em primeiro lugar o discernimento para decidir com o que seus filhos vão brincar e naquele dia pais e filhos brincaram com um lançador que dispara setinhas de espuma em um alvo de papelão e aprenderam que aquilo NÃO É UMA ARMA.

Coisa que muito marmanjo, ainda não aprendeu!

Mas apesar do que algumas pessoas muito desinformadas disseram – e ainda dizem – houve no evento uma preocupação pedagógica sim, as crianças foram orientadas a terem cuidados mesmo com um brinquedo inofensivo e aprovado pelo InMetro. Aprenderam também conceitos sobre segurança, algo que é muito valorizado nas minhas intervenções pedagógicas, mesmo porque sendo Técnico de Segurança no Trabalho sou também habilitado para isso.

Um conhecido radialista da cidade, que prefiro nem citar o nome, chegou a dizer em seu programa:

“Será que esta escolinha não tem coisas mais interessantes para fazer?”

Talvez as palavras não sejam exatamente estas, porque não pude ouvir a gravação e sinceramente prefiro nem ouvir a não ser que me decida a processar este indivíduo, mas não quero apenas ser mais um numa longa fila e deixei pra lá.

Mas gostaria de dizer aos que o levaram minimamente à sério que fazemos muita coisa interessante sim, quase todo mês fazemos algo MUITO interessante e todas nossas atividades são informadas a imprensa em geral, mas aparentemente esta pessoa só se interessa pelo que possa dar um aspecto negativo.

Por exemplo, faz mais de um mês que estamos oferecendo um curso gratuito para pessoas com mais de 60 anos e para pessoas PNE e nenhum orgão da imprensa noticiou isso, não que eu saiba, mas tudo bem, continuaremos fazendo pois não estamos fazendo isso “para inglês ver” mas porque é preciso, já que o poder público está tão ocupado com suas próprias mazelas que não consegue fazer. Mas poxa radialista… será que não vê isso também?

Recentemente fizemos a apresentação as crianças de um novo esporte, pouco conhecido no Brasil, mas muito interessante e que é jogado há séculos na Europa. As crianças conheceram o esporte, aprenderam as regras e ainda fizeram seus próprios equipamentos, mas sei lá, tem um martelo de espuma envolvido… será que isso pode vir a gerar um serial killer do martelo no futuro?

Melhor deixar quieto… será que os radialistas do caos sabem pelo menos de qual esporte estou falando?

No mês anterior, exatamente no dia 4 de Maio, em que é comemorado o Dia Internacional dos Bombeiros tivemos um evento que poderia até ser considerado mais polêmico do que colocar crianças em contato com um brinquedo inofensivo, pois neste dia foi dado um treinamento de combate a incêndio para as crianças e seus pais. Inclusive com a presença dos bombeiros, que levaram um caminhão ao local, para mostrar as crianças o que aconteceria se eles precisassem destes profissionais.

Neste treinamento as crianças aprenderam a usar um extintor de incêndio de automóvel, aprenderam a ter cuidado com um dos mais temíveis inimigos das crianças, o fogão e panelas quentes, que podem causar incêndios perigosos e outras atividades correlacionadas.

Na semana seguinte muitos pais elogiaram o evento e disseram que as crianças ficaram muito interessadas… ou seja, prezado radialista, temos outras coisas para fazer sim e fazemos, sem precisar causar dano a imagem de ninguém.

Fico preocupado agora, pois se fizer isso de novo pode ser que algum radialista ou jornalista desinformado parta do principio que a Escolinha estaria ajudando a criar “incendiários”.

Assim como no evento dos lançadores Nerf era obrigatória a presença de um dos pais ou responsável e os cuidados tomados foram muito mais exigentes, cada criança recebeu uma máscara e luvas para proteção individual, embora nem fossem necessários porque todo o ambiente estava perfeitamente controlado e seguro.

Estas crianças recebem também treinamento para procedimentos de evasão e assim que for possível vão receber treinamentos sobre primeiros socorros, porque pedagogia de VERDADE é não ficar fugindo dos assuntos polêmicos e perigosos.

O que é realmente questionável é que este mesmo radialista, tão cioso de “proteger” as crianças, faz em sem programa propaganda de FOGOS DE ARTIFÍCIO, um dos maiores perigos a que as crianças realmente podem ser submetidas, ou seja.., quando são os outros ele ataca e agride verbalmente, quando é seu anunciante não tem problema.

Santa coerência, Batman!

Se fosse só ele tudo bem, mas tive o desprazer de ler um extenso depoimento de uma outra pessoa, totalmente sem noção que confunde sua área de atuação e formação com pedagogia, também não vou citar o nome desta senhora, que sequer conheço, mas que se achou no direito de questionar meu trabalho sem sequer falar comigo antes. E isso apenas para ter seu nome publicado num jornal, pois não posso crer que ela ache que está contribuindo socialmente com algo fazendo o que fez. Na minha opinião escreveu um monte de baboseiras e a única coisa que valeu a pena foi ver um leitor, que também não conheço, desqualificar tudo que ela disse em milhares de letrinhas sem conteúdo, usando apenas meia dúzia de palavras. Nunca poderei agradecer por ter me lavado a alma desta forma 😉

Segue o texto, escrito por Mauricio Vasconcelos, um pouco de luz em tanta escuridão e achismos, infelizmente não tive como descobrir quem é esta pessoa para lhe pedir autorização para publicar, mas retiro a referência se for solicitado pelo próprio.

“Contanto que exista todo um acompanhamento dos professores e especialmente instruções dos pais quanto ao uso de um brinquedo (isso não é uma arma), a criança não há de associar violência ao esporte. tudo depende do tipo de abordagem que é dado a atividade, e a orientação inteligente que é repassada aos menores, diferenciando o que é brincadeira e o que é violência. (Mauricio Vasconcelos)

Nos comentários das matérias há todo tipo de opinião, a maior parte baseada no que cada um considera correto, pois então… se formos seguir o que cada um considera correto não deveríamos nos meter no que os outros estão fazendo, a não ser que fosse um ato ilegal.

Por falar em ilegal, tomei também a liberdade de destacar uma das falas desta senhora que confunde sociologia com pedagogia e certamente também confunde outras coisas, vejamos:

“Acho que poderia ser feito algo na linha de uma competição de quem arrecada mais armas para entregar”

Como é? Então as crianças não podem ter contato com armas, mas podem participar de uma campanha para fazer algo que até para adultos é complicado?

Total desconhecimento da lei e da realidade, pois se uma escola arrecadar armas, mesmo que seja com a melhor das intenções estará descumprindo a lei. Fantástico conselho…

Fora estes dois casos, a imprensa menos marrom tratou o evento como se deve, informando sem fazer julgamentos ou tentar forçar seu modo de pensar, um jornalista da EPTV, por exemplo levantou a questão da proibição da venda destes brinquedos com a maior isenção, mostrando os dois lados de uma mesma moeda, o jornalista entrou em contato, ouviu tudo e não omitiu uma palavra sequer do que falei a respeito.

Como educador tenho direito a fazer o que considero correto, particularmente não sou defensor do uso de armas, porém entendo que se elas existem é direito de todos o acesso as mesmas, com as devidas e necessárias responsabilidades envolvidas.

Carros matam muito mais do que armas e não vejo ninguém tentando proibir seu uso, alias a legislação é muito condescendente com pessoas que acabam usando seus carros e sua permissão para dirigir de forma equivocada, penso que se os juízes que se consideram grandes defensores da sociedade tratassem estas pessoas com a devida relevância do mal que causam, não teriam tanto tempo para se dedicar a reprimir o comércio de brinquedos que se parecem armas… mesmo porque outro dia estive em uma loja de caça e vi diversas armas DE VERDADE sendo vendidas livremente, ou seja… realmente nos fazem de palhaços nesta história.

Bom, acho que chega, creio que me fiz entender, a seguir coloco links para as reportagens que pude ver nos jornais, a respeito dos eventos, não julgo as pessoas que trocaram os pés pelas mãos, apenas agradeço a quem fez seu trabalho jornalístico corretamente e aos demais só peço que usem seu próprio conselho e se tornem melhores em suas profissões, pois a função de um jornalista nunca foi julgar ou tentar impor sua própria opinião, sua função é informar e a comparação entre as matérias a seguir pode ser muito ilustrativa:

G1 – http://goo.gl/MX88Wc
O Imparcial – http://goo.gl/uBH95E (veja na página 14)
Tribuna – http://goo.gl/NPJnnW
Portal Morada – http://goo.gl/b81rMe

Publicações no Facebook sobre o campeonato:

https://goo.gl/xsEOb2 

Este último link é uma compilação das atividades anteriores e posteriores ao campeonato, quem ainda possa achar que existe algum tipo de falha nisso, favor olhar com um pouco mais de humanidade e coerência, porque realmente não tenho mais paciência para explicar de novo.

Agradeço caso possam informar outros links que tenham informado sobre este evento, por favor indique nos comentários.

Nota: Além dos jornalistas envolvidos, recebemos correspondência, por e-mail e telefonemas de representantes do Ministério Público, que investigam uma “denúncia anônima” sobre este evento. Estão nos pedindo a liminar que permitiria as lojas venderem o referido brinquedo. Informei que a Escolinha Pernalonga não vende o brinquedo e portanto não pode ser responsabilizada por apresentar tal liminar, mesmo assim, como cidadão responsável fiz o trabalho, que não deveria ser meu e entregarei pessoalmente e por escrito o que estão pedindo. Só lamento ver o poder público cobrando das pessoas erradas e sequer informar quem foi o autor das denúncias. Mas este é o preço da lei e da ordem, ser tratado como criminoso enquanto os verdadeiros bandidos fazem sua esbórnia, bem na cara dos que se preocupam mais com as pequenas coisas. Mas faço a minha parte, porque acredito que no final o mal vai receber o que merece.

Sobre Divino Leitão

Consultor pedagógico na Escolinha Pernalonga.

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